ANÁLISE DA ATUAL CONJUNTURA
POLÍTICA NO BRASIL AGORA
1Professor Gleidistone Antunes
A conjuntura de setembro de 2026 é especialmente importante porque faltam menos de quatro semanas para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e pouco mais de seis semanas para eventual segundo turno, em 25 de outubro.
1. Análise da conjuntura política brasileira
Uma eleição novamente marcada pela polarização - O quadro eleitoral apresenta uma característica bastante conhecida desde 2018: a disputa presidencial está fortemente organizada em torno de dois polos.
De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca a reeleição. De outro, Flávio Bolsonaro (PL) consolidou-se como principal representante eleitoral do campo bolsonarista.
A novidade de 2026 é que, diferentemente de alguns momentos anteriores da campanha, a vantagem de Lula deixou de representar uma situação confortável. A pesquisa Datafolha divulgada em 3 de setembro apontou 38% para Lula e 33% para Flávio Bolsonaro no primeiro turno; Augusto Cury apareceu com 8%.
No segundo turno, porém, a disputa está ainda mais apertada: o Datafolha encontrou 46% para Lula contra 44% para Flávio, dentro da margem de erro.
E a pesquisa Quaest divulgada hoje, 7 de setembro, tornou o quadro ainda mais dramático: 41% para Lula e 41% para Flávio Bolsonaro, em uma simulação de segundo turno. Foram entrevistadas 2.004 pessoas entre 3 e 6 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Portanto, não existe hoje espaço analítico sério para afirmar que a eleição está decidida.
O primeiro turno ainda pode mudar significativamente
Lula mantém uma vantagem importante porque aparece na liderança nas pesquisas de primeiro turno. O problema para sua campanha é que essa vantagem não está se convertendo em segurança no segundo turno.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, apresenta uma característica eleitoral importante: conseguiu transformar a candidatura em uma espécie de plebiscito sobre o legado de Jair Bolsonaro.
Isso significa que o eleitor não está necessariamente escolhendo apenas entre dois programas de governo. Parte significativa está escolhendo entre dois projetos políticos, duas interpretações do Brasil recente e duas visões sobre democracia, economia, instituições e papel do Estado.
A rejeição também evidencia a intensidade dessa polarização. Pesquisa Datafolha aponta 47% de rejeição a Flávio Bolsonaro e 45% a Lula.
É um dado fundamental: os dois líderes carregam índices de rejeição extraordinariamente elevados.
2. O fator Neonazifascista Bolsonarista
Existe uma questão central que não pode ser ignorada. Flávio Bolsonaro não representa simplesmente uma candidatura conservadora tradicional. Sua candidatura está associada ao Neonazifascismo bolsonararista, movimento político que continua possuindo uma base social e eleitoral extremamente mobilizada.
Os atos de 7 de Setembro demonstraram novamente essa capacidade de mobilização. Cerca de 28,5 mil pessoas participaram de manifestação conservadora em São Paulo em apoio a Flávio Bolsonaro, segundo estimativa citada pela Reuters.
Mas existe uma contradição estratégica - O bolsonarismo possui uma base muito fiel, mas também apresenta uma rejeição muito elevada. Isso dificulta a expansão da candidatura para além de seu eleitorado ideológico.
Em outras palavras: Flávio tem um eleitorado muito sólido, mas precisa conquistar o eleitor que não é bolsonarista e que não compactua com as causas do sionismo, do fascismo e do nazismo. E esse eleitor será provavelmente decisivo no segundo turno.
3. O problema de Lula
Lula apresenta uma vantagem histórica: continua sendo uma das figuras políticas brasileiras com maior capacidade de transferência de votos, mobilização popular e reconhecimento internacional.
Mas sua candidatura enfrenta três obstáculos.
Primeiro: o desgaste natural de um governo em seu terceiro mandato.
Segundo: a percepção de que o governo precisa entregar mais resultados concretos em áreas como custo de vida, segurança pública, saúde, educação e emprego.
Terceiro: a própria rejeição ao PT e ao lulismo.
A pesquisa Datafolha mostra que Lula continua liderando o primeiro turno, mas também revela uma eleição muito mais competitiva do que aquela em que uma candidatura governista poderia esperar vencer simplesmente pela vantagem inicial.
O desafio de Lula, portanto, não é apenas convencer quem já vota nele. É convencer quem não gosta de Lula, mas teme uma volta do bolsonarismo — e, simultaneamente, recuperar eleitores que consideram seu governo insuficiente.
4. Existe uma terceira via?
Existe espaço político para uma candidatura de centro ou centro-direita não-bolsonarista. Os nomes de Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury e Renan Santos, entre outros, disputam esse espaço. Entretanto, as pesquisas atuais mostram uma dificuldade estrutural: nenhum deles conseguiu, até agora, romper o domínio eleitoral de Lula e Flávio. Mas eles também representam o retrocesso, a calamidade na saúde, segurança, política e na economia do Brasil.
Augusto Cury, um candidato da direita, mascarado de democrata, logo de cara se entregou quando disse chamar o governador de São Paulo para ser ministro, caso ganhasse a eleição. Ele é a exceção, porque alcançou 8% no Datafolha e não passou daí. Mas transformar crescimento em candidatura competitiva para chegar ao segundo turno é outra coisa.
A grande pergunta da eleição passa a ser: o eleitor brasileiro deseja manter a polarização Lula × Bolsonaro ou está procurando uma outra alternativa?
Até o momento, os números sugerem que a polarização continua sendo mais forte do que a terceira via.
5. E qual seria a melhor opção para o Brasil?
Aqui é necessário fazer uma distinção importante. Não existe uma "melhor opção" universalmente objetiva. Uma análise política responsável não pode transformar preferência ideológica em verdade absoluta. Entretanto, podemos estabelecer critérios objetivos para avaliar qual projeto seria mais adequado ao país:
respeito à democracia constitucional;
estabilidade institucional;
responsabilidade fiscal;
crescimento econômico com inclusão social;
redução da pobreza e da desigualdade;
fortalecimento da educação e da saúde pública;
combate efetivo à criminalidade;
preservação ambiental;
capacidade de diálogo com o Congresso e os governos estaduais;
respeito à liberdade de imprensa e às instituições independentes;
política externa pragmática e defesa da soberania nacional;
capacidade de governar para além da própria militância.
Aplicando esses critérios, minha avaliação é que a melhor escolha para o Brasil não deveria ser determinada pelo grau de identificação emocional do eleitor com Lula ou com o fascismo de Flávio Bolsonaro, mas pela capacidade do candidato de preservar a democracia, produzir desenvolvimento econômico e social e construir estabilidade institucional.
Se a escolha efetivamente chegar a Lula × Flávio Bolsonaro, há uma diferença importante a ser considerada: Lula representa a continuidade de uma política votada à construção de um país mais igualitário, mais humanizado, mais democrata, com mais políticas públicas para que a distribuição de renda seja coesa, coerente e voltada para a Educação, Saúde moradia e segurança para as camadas mais vulnerável da população. Essa experiência institucional nos Projeto de Lula já é conhecida por todos. Entretanto, enquanto Flávio Bolsonaro representa a continuidade política do campo Neonzifascistassionista bolsonarista, o desemprego, o fim dos direitos trabalhistas, o fim das escolas públicas, das universidades públicas, da moradia popular, o fim da distribuição de renda, como o Bolsa Família, o Programa do Pé-de-meia da entrega das riquezas do Brasil ao capital colonizador e exploratório dos Norte Americanos. Esta é a identidade de quem se diz ser patriota, mas que faz um discurso de entreguismo e submissão total do Brasil aos Estados Unidos, abrindo mão da nossa soberania.
Nesse cenário específico, considerando exclusivamente os critérios de estabilidade democrática, experiência administrativa, capacidade de articulação institucional e políticas de inclusão social, considero Lula a opção mais segura para a preservação da estabilidade institucional brasileira.
Um eventual novo mandato precisaria ser cobrado em questões como equilíbrio fiscal, eficiência administrativa, segurança pública, qualidade dos serviços públicos, combate à corrupção e redução da polarização política.
A melhor opção, portanto, não é simplesmente "Lula porque é Lula". É: Lula, se o eleitor entender que estabilidade democrática, inclusão social e continuidade institucional devem prevalecer — mas com cobrança rigorosa, fiscalização e exigência de resultados.
Palmares, 7 de sembro de 2027
1Professor Gleidistone Antunes leciona na Área de Linguagens, Códigos suas Tecnologias
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