segunda-feira, 7 de setembro de 2026

ANÁLISE DA ATUAL CONJUNTURA POLÍTICA NO BRASIL AGORA _Professor Gleidistone Antunes

 


ANÁLISE DA ATUAL CONJUNTURA

POLÍTICA NO BRASIL AGORA

1Professor Gleidistone Antunes


A conjuntura de setembro de 2026 é especialmente importante porque faltam menos de quatro semanas para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e pouco mais de seis semanas para eventual segundo turno, em 25 de outubro.


1. Análise da conjuntura política brasileira

Uma eleição novamente marcada pela polarização - O quadro eleitoral apresenta uma característica bastante conhecida desde 2018: a disputa presidencial está fortemente organizada em torno de dois polos.

De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca a reeleição. De outro, Flávio Bolsonaro (PL) consolidou-se como principal representante eleitoral do campo bolsonarista.

A novidade de 2026 é que, diferentemente de alguns momentos anteriores da campanha, a vantagem de Lula deixou de representar uma situação confortável. A pesquisa Datafolha divulgada em 3 de setembro apontou 38% para Lula e 33% para Flávio Bolsonaro no primeiro turno; Augusto Cury apareceu com 8%.

No segundo turno, porém, a disputa está ainda mais apertada: o Datafolha encontrou 46% para Lula contra 44% para Flávio, dentro da margem de erro.

E a pesquisa Quaest divulgada hoje, 7 de setembro, tornou o quadro ainda mais dramático: 41% para Lula e 41% para Flávio Bolsonaro, em uma simulação de segundo turno. Foram entrevistadas 2.004 pessoas entre 3 e 6 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Portanto, não existe hoje espaço analítico sério para afirmar que a eleição está decidida.

O primeiro turno ainda pode mudar significativamente

Lula mantém uma vantagem importante porque aparece na liderança nas pesquisas de primeiro turno. O problema para sua campanha é que essa vantagem não está se convertendo em segurança no segundo turno.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, apresenta uma característica eleitoral importante: conseguiu transformar a candidatura em uma espécie de plebiscito sobre o legado de Jair Bolsonaro.

Isso significa que o eleitor não está necessariamente escolhendo apenas entre dois programas de governo. Parte significativa está escolhendo entre dois projetos políticos, duas interpretações do Brasil recente e duas visões sobre democracia, economia, instituições e papel do Estado.

A rejeição também evidencia a intensidade dessa polarização. Pesquisa Datafolha aponta 47% de rejeição a Flávio Bolsonaro e 45% a Lula.

É um dado fundamental: os dois líderes carregam índices de rejeição extraordinariamente elevados.


2. O fator Neonazifascista Bolsonarista

Existe uma questão central que não pode ser ignorada. Flávio Bolsonaro não representa simplesmente uma candidatura conservadora tradicional. Sua candidatura está associada ao Neonazifascismo bolsonararista, movimento político que continua possuindo uma base social e eleitoral extremamente mobilizada.

Os atos de 7 de Setembro demonstraram novamente essa capacidade de mobilização. Cerca de 28,5 mil pessoas participaram de manifestação conservadora em São Paulo em apoio a Flávio Bolsonaro, segundo estimativa citada pela Reuters.

Mas existe uma contradição estratégica - O bolsonarismo possui uma base muito fiel, mas também apresenta uma rejeição muito elevada. Isso dificulta a expansão da candidatura para além de seu eleitorado ideológico.

Em outras palavras: Flávio tem um eleitorado muito sólido, mas precisa conquistar o eleitor que não é bolsonarista e que não compactua com as causas do sionismo, do fascismo e do nazismo. E esse eleitor será provavelmente decisivo no segundo turno.


3. O problema de Lula

Lula apresenta uma vantagem histórica: continua sendo uma das figuras políticas brasileiras com maior capacidade de transferência de votos, mobilização popular e reconhecimento internacional.

Mas sua candidatura enfrenta três obstáculos.


Primeiro: o desgaste natural de um governo em seu terceiro mandato.

Segundo: a percepção de que o governo precisa entregar mais resultados concretos em áreas como custo de vida, segurança pública, saúde, educação e emprego.

Terceiro: a própria rejeição ao PT e ao lulismo.


A pesquisa Datafolha mostra que Lula continua liderando o primeiro turno, mas também revela uma eleição muito mais competitiva do que aquela em que uma candidatura governista poderia esperar vencer simplesmente pela vantagem inicial.

O desafio de Lula, portanto, não é apenas convencer quem já vota nele. É convencer quem não gosta de Lula, mas teme uma volta do bolsonarismo — e, simultaneamente, recuperar eleitores que consideram seu governo insuficiente.


4. Existe uma terceira via?

Existe espaço político para uma candidatura de centro ou centro-direita não-bolsonarista. Os nomes de Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury e Renan Santos, entre outros, disputam esse espaço. Entretanto, as pesquisas atuais mostram uma dificuldade estrutural: nenhum deles conseguiu, até agora, romper o domínio eleitoral de Lula e Flávio. Mas eles também representam o retrocesso, a calamidade na saúde, segurança, política e na economia do Brasil.

Augusto Cury, um candidato da direita, mascarado de democrata, logo de cara se entregou quando disse chamar o governador de São Paulo para ser ministro, caso ganhasse a eleição. Ele é a exceção, porque alcançou 8% no Datafolha e não passou daí. Mas transformar crescimento em candidatura competitiva para chegar ao segundo turno é outra coisa.

A grande pergunta da eleição passa a ser: o eleitor brasileiro deseja manter a polarização Lula × Bolsonaro ou está procurando uma outra alternativa?

Até o momento, os números sugerem que a polarização continua sendo mais forte do que a terceira via.


5. E qual seria a melhor opção para o Brasil?

Aqui é necessário fazer uma distinção importante. Não existe uma "melhor opção" universalmente objetiva. Uma análise política responsável não pode transformar preferência ideológica em verdade absoluta. Entretanto, podemos estabelecer critérios objetivos para avaliar qual projeto seria mais adequado ao país:


  1. respeito à democracia constitucional;

  2. estabilidade institucional;

  3. responsabilidade fiscal;

  4. crescimento econômico com inclusão social;

  5. redução da pobreza e da desigualdade;

  6. fortalecimento da educação e da saúde pública;

  7. combate efetivo à criminalidade;

  8. preservação ambiental;

  9. capacidade de diálogo com o Congresso e os governos estaduais;

  10. respeito à liberdade de imprensa e às instituições independentes;

  11. política externa pragmática e defesa da soberania nacional;

  12. capacidade de governar para além da própria militância.


Aplicando esses critérios, minha avaliação é que a melhor escolha para o Brasil não deveria ser determinada pelo grau de identificação emocional do eleitor com Lula ou com o fascismo de Flávio Bolsonaro, mas pela capacidade do candidato de preservar a democracia, produzir desenvolvimento econômico e social e construir estabilidade institucional.

Se a escolha efetivamente chegar a Lula × Flávio Bolsonaro, há uma diferença importante a ser considerada: Lula representa a continuidade de uma política votada à construção de um país mais igualitário, mais humanizado, mais democrata, com mais políticas públicas para que a distribuição de renda seja coesa, coerente e voltada para a Educação, Saúde moradia e segurança para as camadas mais vulnerável da população. Essa experiência institucional nos Projeto de Lula já é conhecida por todos. Entretanto, enquanto Flávio Bolsonaro representa a continuidade política do campo Neonzifascistassionista bolsonarista, o desemprego, o fim dos direitos trabalhistas, o fim das escolas públicas, das universidades públicas, da moradia popular, o fim da distribuição de renda, como o Bolsa Família, o Programa do Pé-de-meia da entrega das riquezas do Brasil ao capital colonizador e exploratório dos Norte Americanos. Esta é a identidade de quem se diz ser patriota, mas que faz um discurso de entreguismo e submissão total do Brasil aos Estados Unidos, abrindo mão da nossa soberania.

Nesse cenário específico, considerando exclusivamente os critérios de estabilidade democrática, experiência administrativa, capacidade de articulação institucional e políticas de inclusão social, considero Lula a opção mais segura para a preservação da estabilidade institucional brasileira.

Um eventual novo mandato precisaria ser cobrado em questões como equilíbrio fiscal, eficiência administrativa, segurança pública, qualidade dos serviços públicos, combate à corrupção e redução da polarização política.

A melhor opção, portanto, não é simplesmente "Lula porque é Lula". É: Lula, se o eleitor entender que estabilidade democrática, inclusão social e continuidade institucional devem prevalecer — mas com cobrança rigorosa, fiscalização e exigência de resultados.


Palmares, 7 de sembro de 2027


1Professor Gleidistone Antunes leciona na Área de Linguagens, Códigos suas Tecnologias


terça-feira, 25 de agosto de 2026

O “MOVIMENTO EVANGÉLICO PROGRESSISTA – MEP” LANÇOU UMA NOTA DE REPÚDIO EM RELAÇÃO À DECLARAÇÃO DE FLÁVIO BOLSONARO!!!

O “MOVIMENTO EVANGÉLICO PROGRESSISTA – MEP” LANÇOU UMA NOTA DE REPÚDIO EM RELAÇÃO À DECLARAÇÃO DE FLÁVIO BOLSONARO!!!


A declaração do Anticristo afronta tanto o princípio do estado laico quanto a liberdade de consciência de cada cristã ou cristão que exerce livremente sua cidadania, defendendo a plena liberdade religiosa para todas as pessoas.


O candidato das facções criminosas e milicianas à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) faltou ao primeiro debate presidencial de 2026, realizado pela Band neste domingo (23), mas encontrou uma maneira de ocupar o espaço político e, sobretudo, religioso da disputa. Em vídeo publicado nas redes sociais durante a realização do debate, o burro-filho de Jair Bolsonaro afirmou que, caso seja eleito, um de seus primeiros atos será “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A declaração veio acompanhada da justificativa de que seus verdadeiros adversários seriam aqueles que, segundo ele, “não acreditam em Deus”.

Não se trata apenas de uma frase de efeito. O imbecil não entende que a promessa é juridicamente incompatível com o Estado brasileiro tal como definido pela Constituição de 1988. O artigo 19 estabelece que é vedado à União estabelecer cultos religiosos ou igrejas, manter com eles relações de dependência ou aliança e criar distinções entre brasileiros. O artigo 5º, por sua vez, garante a liberdade de consciência e de crença e o livre exercício dos cultos religiosos. O Supremo Tribunal Federal é igualmente explícito ao reconhecer que o Brasil é uma República laica e que o Estado deve permanecer neutro diante das religiões.

Ele mente e tenta lacrar junto à comunidade evangélica para parecer como cidadão de bem, não tem vergonha de enganar os seus próprios eleitores evanjegues, que o seguem como se ele fosse um santo de moral ilibada. Portanto, um presidente da República não poderia simplesmente “decretar” que o Brasil pertence a Jesus Cristo. Um decreto presidencial não tem poder para transformar a natureza constitucional do Estado. Uma eventual mudança para um Estado confessional exigiria uma alteração constitucional de enorme alcance, confrontando o princípio da laicidade, a liberdade religiosa e a igualdade entre cidadãos de diferentes crenças — ou que não professam nenhuma.


Tenho dito Senhoras e Senhores!


quinta-feira, 16 de julho de 2026

O CAPUZ DA KU KLUX KLAN CAIU, MAS O DISCURSO DE ÓDIO PERMANECE Por Gleidistone Antunes


O CAPUZ DA KU KLUX KLAN CAIU, MAS O DISCURSO DE ÓDIO PERMANECE

Por Gleidistone Antunes

Há quem acredite que Deus escolheu uma única raça, uma única nação ou um único povo para ocupar um lugar privilegiado na história. Essa ideia, quando transformada em ideologia, deixa de ser uma convicção religiosa e passa a justificar a exclusão, a discriminação e a violência contra todos aqueles considerados "diferentes".

O ódio já não desfila apenas sob mantos brancos e capuzes. Hoje, muitas vezes, veste terno e gravata, ocupa púlpitos, plataformas digitais e espaços de poder. Apropria-se da linguagem da fé, do patriotismo e da moralidade para dividir pessoas, comunidades, religiões e até famílias.

Ao longo da história, líderes políticos e religiosos utilizaram o nome de Deus para legitimar perseguições, condenações e guerras. Em vez de anunciar a esperança, transformaram a religião em instrumento de medo; em vez de promover a fraternidade, difundiram a cultura do inimigo.


A lógica da exclusão permanece viva. Ela não se manifesta apenas no racismo, mas também na intolerância religiosa, na xenofobia, na misoginia, na homofobia e em toda forma de preconceito que transforma seres humanos em adversários a serem combatidos. Quando interesses políticos, econômicos e religiosos se unem para manipular a fé e alimentar projetos de poder, o resultado é a corrosão da democracia, da justiça social e da própria espiritualidade e isso tem nome: Neonazifacismossionista-religioso.

A história da Ku Klux Klan é um dos exemplos mais sombrios dessa perversão. Reorganizada em 1915 por William Joseph Simmons, a organização apropriou-se de símbolos e discursos cristãos para justificar práticas de terror contra negros, imigrantes, judeus, católicos e outros grupos considerados “indesejáveis”. A Bíblia foi manipulada para legitimar crimes que negavam frontalmente os ensinamentos centrais do Evangelho.


A adesão à Klan exigia, entre outros critérios, ser branco, protestante e defensor da supremacia branca. Em poucos anos, a organização alcançou milhões de membros, contando, em diversas regiões dos Estados Unidos, com apoio ou tolerância de segmentos religiosos que confundiam nacionalismo, identidade religiosa e superioridade racial.

Essa história ensina uma verdade inquietante: a violência raramente se apresenta dizendo seu verdadeiro nome. Ela costuma vestir a roupa da moral, da tradição, da ordem ou até da religião. Sempre que Deus é transformado em propriedade exclusiva de um grupo, a fé deixa de ser caminho de libertação para tornar-se instrumento de dominação.

Infelizmente, ainda hoje é possível encontrar discursos que, em nome de Deus, estimulam a intolerância, desumanizam minorias, relativizam a dignidade da mulher, alimentam preconceitos, demonizam adversários políticos e tratam diferenças culturais, religiosas ou sociais como ameaças a serem eliminadas. O problema não está na fé, mas na instrumentalização da fé para servir a projetos de poder.


O Cristo dos Evangelhos jamais ensinou a odiar. Ao contrário, proclamou: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo." Sua mensagem rompeu barreiras étnicas, religiosas e sociais, acolhendo aqueles que eram rejeitados por seu tempo.

Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja quem usa o nome de Deus, mas para quê o utiliza. Uma fé que produz ódio, medo e exclusão precisa ser confrontada pela própria mensagem que afirma defender.

O capuz da Ku Klux Klan pode ter caído, mas toda vez que a religião é usada para justificar a superioridade de uns sobre outros, para alimentar preconceitos ou para transformar o diferente em inimigo, o seu espírito encontra novas formas de sobreviver.


Cabe a cada um de nós permanecer vigilante. A história demonstra que os maiores retrocessos da humanidade começam quando deixamos de questionar discursos travestidos de fé, patriotismo ou moralidade. Que tenhamos coragem de discernir entre a religião que liberta e a religião que escraviza, entre a política que promove a dignidade humana e aquela que transforma o ódio em projeto de poder. Afinal, onde o amor deixa de ser o centro, Deus já não ocupa o mesmo lugar que os homens afirmam lhe dar.


Tenho dito senhoras e senhores



segunda-feira, 4 de maio de 2026

QUANDO OS LOUCOS CONDUZEM OS CEGOS_História de Roberto Amaral


QUANDO OS LOUCOS CONDUZEM OS CEGOS

História de Roberto Amaral

Não são apenas os vivos que nos atormentam, os mortos também. “Le mort saisit le vif!”. — Karl Marx, Prólogo à primeira edição de O capital.


Nascemos como território aberto: feitoria, praias, água, alimento e sombra para o repouso de corsários de todas as bandeiras; o mundo chegava para a aventura predatória dos séculos seguintes de apropriação da terra dada, a caça à natureza e aos homens, povos nativos preados e, com a Colônia, a escravidão de negros importados para o eito e a morte antecipada.

Bem mais tarde emerge, sem animação orgânica, uma ideia de povo em busca de nação, ausente o projeto de colonizador (com o qual não podia arcar a decadência irreversível do império lusitano); historiadores apressados referem-se às lutas travadas por portugueses, africanos escravizados, tropas de brancos pobres e indígenas escravizados como o início da construção de uma nacionalidade, nada obstante a impossibilidade de identificar a mínima consciência de pertencimento comum na expulsão da experiência do príncipe de Nassau (1654), modernizante em face da passividade portuguesa, ainda que não cogitasse de qualquer sorte de mobilidade social, ou da criação de mercado interno. Não havia uma nação a contrapor-se ao sonho holandês na América. Ora, nossa "alma" não conhecia a pátria. Éramos algo como uma malha de feitorias sob a coroa do pequeno Estado português, em trânsito entre o domínio espanhol e o britânico, cuja preeminência nos condicionaria até o fim da Primeira Grande Guerra (1914–1918) e a ascensão dos EUA, que se tornam a unipotência capitalista após a queda do Muro de Berlim e a capitulação da URSS. Continuávamos na periferia, como se cumpríssemos um determinismo que a leitura dialética da História não justifica.

Antes, no nascedouro do século XVI, na periferia do mercantilismo do capitalismo nascente, ainda pré-industrial e pré-estatal. Agora, na periferia do capitalismo pós-industrial, sob a égide de um imperialismo Moloch. Em 1627, em sua História do Brasil, o sábio e precursor Frei Vicente de Salvador profligava as limitações estratégicas do português: desapetrechado política e economicamente, pugnava salvar-se mediante a conservação da terra apossada sem luta, e salvá-la por meio de tratados negociados com nações mais poderosas: “Da largura que a terra do Brasil tem para o sertão não trato, porque até agora não houve quem a andasse por negligência dos portugueses, que, sendo grandes conquistadores de terras, não aproveitam delas, mas contentam-se de andar arranhando ao longo do mar como caranguejos”.

Vida social, nenhuma. Vida política, tão-só a necessária para assegurar o domínio português: os primeiros agentes do fisco, os primeiros militares, os primeiros fortes de defesa, os primeiros agentes da justiça reinol; os padres e frades catequizando os catecúmenos, desculturalizando o gentio e o negro, matando suas almas; os jesuítas catequizando, educando, aportuguesando e construindo, território afora, suas “repúblicas”, seus aldeamentos, suas “missões”, um modelo de colonização clerical que palmilhou quase todo o país daqueles idos; caminhando desde a Amazônia e o Centro-Oeste ao Rio Grande do Sul, à Argentina e ao Paraguai; chegaram a mobilizar entre 250 e 300 mil guaranis, até a fúria pombalina que os expulsou do Brasil.

Nascemos na periferia do mercantilismo do século XVI, do capitalismo nascente, ainda pré-industrial e pré-estatal, e nossos donos de então, pais e mães dos donos de hoje, logo se aclimataram no ócio, pois havia índios preados para o trabalho, africanos às mãos cheias para o eito e a morte antes do tempo. A história oficial consagrou como “heróis da Pátria” os genocidas das Entradas e Bandeiras. Nesse Brasil, onde havia produção, só o escravo trabalhava, o que não explica tudo, mas sugere um campo de reflexão. Darcy Ribeiro lembra a carne e a alma dos indígenas e dos negros que os brancos caçavam para produzir e poder acumular suas riquezas. E madeira, e pedras, e algodão, e mais isso e mais aquilo, tudo o que o mercado europeu requeria, pois aqui, em se plantando (pelo braço escravizado), tudo dava, tudo dá; e logramos plantar cana e produzir açúcar para exportar à Europa, de onde importávamos tudo: manufaturados, ideologia, valores, cultura, visão de mundo, por intermédio dos entrepostos portugueses que nos exploravam como monopólio comercial.

O “brasileiro” é o português que vem “fazer a América”, enriquecer e voltar a Portugal para construir igrejas, e será personagem de Camilo Castelo Branco. O proprietário de engenho é um simples feitor muito rico. Não é um empreendedor, não é um pioneiro. É um homem da terra, reacionário, violento, inculto; mas, supunha, falava com Deus; precatado, mantinha em casa uma Capela devotada ao Cristo ou à Imaculada Cinceição onde se casavam os herfeiros com os herdeiros das terras vizinhas. São essas as nossas raízes, as de um Estado classista moderno na sua abjeta concentração de renda e espoliação social; raízes que explicam ainda o mal de origem que intentam negacear: construído aos trancos e barrancos, isento de projeto de ser, desprovido de destino, o Brasil não é, está sendo; algo permanentemente em elaboração, sem bússola, sem azimute, talvez com ponto de partida, mas jamais dispondo de horizonte de chegada: sem régua e sem compasso, manipulado pela dialética das circunstâncias nas quais não ousa intervir.

Na transição para o capitalismo, a burguesia que nos coube já não era revolucionária quando aqui desembarcou, e jamais seria nacional, condicionada na modernidade pelos interesses do capitalismo globalizado. Jamais se desapartou de suas origens: cultiva o longo passado colonial e escravagista de seus avoengos. Assim vê o mundo e nele se vê. Essas, as nossas circunstâncias perdurantes. Sem noção de si, carecemos da noção de mundo; sem projeto de ser, não temos porto de chegada. Ficamos com os argonautas, a navegar, porque navegar é preciso. E la nave va, mas não nos salva da alienação: a crise é objetiva, material, concreta e nos fisga no contrapé da irrelevância.

Assim, quietos, nos escondemos diante da crise, que é uma crise nossa, presente: ela está no mundo, mas está diretamente na América do Sul e no Brasil. Fruto da formação histórica que acima se tentou resumir, nossa classe dominante, trêfega e traficante, não tem condições de dialogar com a realidade; alienada e ideologicamente colonizada, não se identifica com a nação, não a pode compreender. Nada se lhe deve cobrar ou esperar. Mas talvez ainda seja pertinente chamar à cena a “sociedade civil”. Ou a academia, silente, omissa. Não há condições de cobrar o que quer que seja do movimento sindical, mas talvez ainda seja pertinente exigir uma postura digna dos partidos que ainda integram essa larga avenida que reúne progressistas, esquerda e centro. Era e ainda é justo, e ainda oportuno, exigir de nosso governo um mínimo de ação objetiva, ou seja, algo além das boas notas expedidas pela boa burocracia do Itamaraty. Que errou, com o terceiro andar do Palácio do Planalto, já lá atrás, reduzindo a agressão imperialista a uma chantagem tarifária, ao fim e ao cabo delegando as negociações de Estado, que haveriam de ser políticas, à intermediação de produtores brasileiros de carne e outras commodities com autoridades dos EUA, em escritórios de advocacia e lobby de Washington. Soa mal a dificuldade do nosso governo de dizer o que pensa sobre o condomínio que os EUA querem instalar sobre os escombros de Gaza.

É preciso salvar a política “ativa e altiva” de Celso Amorim. A questão, como é sabido, volta para seu campo nuclear, que é a política, de onde, a rigor, jamais saiu. Na crise que o imperialismo agrava a cada dia — Europa, Oriente Médio, Palestina e Israel, Rússia, Ucrânia, Irã, Dinamarca/Groenlândia, América Latina e, nela, tanto a América do Sul, onde estamos, convivendo com a ascensão da extrema-direita, que nos promete isolar, quanto com a invasão da Venezuela, na nossa fronteira amazônica, o que não é irrelevante, em qualquer momento e em qualquer circunstância. Que dizer quando o chefe da diplomacia de guerra da Casa Branca anuncia como nova política a retomada do “grande quintal”, proclamados o fim da política, o fim do multilateralismo, o fim dos organismos internacionais? O essencial está na ululante falência do direito internacional; inane. A nova ordem é a lei do mais forte, o novo é o Velho Oeste. Soberania nacional não é um valor moral, nem muito menos jurídico, ensina a doutrina, ensina a vida; é uma força objetiva, concreta, palpável, que depende exclusivamente de si. A esse predicado os estrategistas chamam de capacidade de dissuasão. De que carecemos. Porque nossas forças não estão adequadamente armadas, porque sua formação ideológica é subalterna aos interesses do imperialismo, porque o governo ainda não conseguiu construir com a sociedade sua política de defesa.

Porque, ao final, carecemos de um projeto para o país. Sem projeto de destino, sem causa, o Brasil, que já aspirou papel de liderança no plano internacional, vê-se reduzido à condição de objeto: peão em meio a outros peões que se multiplicam no tabuleiro de xadrez, onde reina o soberano imóvel, decidindo os destinos do mundo. Lamentavelmente, vítimas de crassa falência analítica — como se a história não estivesse à nossa disposição para ensinar aos que querem saber —, não nos damos conta do quadro de realidade, como se ele fosse apenas um drama estranho ao nosso, representado noutro teatro. Ora, o enredo é único, a representação é única, o elenco é único, a plateia é única: somos nós. Os tempos de hoje trazem os tempos sempre contemporâneos de Shakespeare e seu Rei Lear, na fala de Gloucester (Ato IV, Cena 1): “É a peste do nosso tempo: quando os loucos conduzem os cegos”.


sábado, 2 de maio de 2026

Consciência Ética em Tempos de Degradação Política: o Brasil entre o Poder e a Ruína_Professor Gleideistone Antunes)

 


Consciência Ética em Tempos de Degradação Política: o Brasil entre o Poder e a Ruína

*Professor Gleidistone Antunes


O Dia Nacional da Ética é celebrado no Brasil, hoje - 2 de maio, instituído para promover a reflexão sobre conduta íntegra, honesta e responsável nas relações pessoais, profissionais e na administração pública. A data incentiva o combate à corrupção, a transparência e a construção de uma sociedade mais justa e respeitosa.


Celebrar o Dia Nacional da Ética, em 2 de maio, no Brasil contemporâneo, impõe menos um gesto comemorativo do que um exercício rigoroso de autocrítica. A ética, enquanto reflexão filosófica sobre o agir humano, não se limita a códigos formais ou discursos protocolários; ela se enraíza na consciência, isto é, na capacidade de discernir entre o justo e o injusto em situações concretas. No entanto, o que se observa no cenário nacional é um progressivo esvaziamento dessa consciência ética, substituída por uma racionalidade instrumental que reduz o bem comum a moeda de troca. A política, que deveria ser o espaço privilegiado da realização da justiça, converte-se, assim, em arena de interesses privados, onde a aparência de legalidade frequentemente encobre práticas moralmente degradantes.


No interior do Congresso Nacional, essa crise se manifesta de modo particularmente agudo. As articulações políticas, muitas vezes marcadas por negociações opacas, fisiologismo e clientelismo, revelam uma lógica de poder que se afasta da responsabilidade pública. O mandato, que deveria expressar a vontade popular, torna-se instrumento de barganha, submetido a alianças circunstanciais que priorizam a manutenção de privilégios e a autopreservação de grupos políticos. Tal dinâmica não apenas corrói a confiança nas instituições democráticas, mas também banaliza a transgressão ética, naturalizando comportamentos que, em outros contextos, seriam amplamente condenados. A ética, nesse ambiente, deixa de ser princípio orientador e passa a ser mero ornamento retórico.


As consequências dessa ruína moral e política recaem, de forma direta e cruel, sobre o povo brasileiro. A precarização dos serviços públicos, o aprofundamento das desigualdades sociais e a sensação generalizada de injustiça são sintomas de um sistema que perdeu seu horizonte ético.


Quando decisões fundamentais são tomadas com base em interesses escusos, o resultado é a perpetuação de um ciclo de exclusão e desamparo. Recuperar a consciência ética, portanto, não é apenas uma exigência filosófica, mas uma urgência histórica: trata-se de reconstituir o vínculo entre política e responsabilidade, resgatando a ideia de que governar é, antes de tudo, um compromisso com a dignidade humana e com a construção de uma sociedade mais justa e, portanto igualitária.


*Professor Gleidistone Antunes é blogueiro, poeta e leciona Teoria da Literatura na Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul/PE.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Entendendo o Conflito entre Israel e Palestina: História, Causas, Impactos e Possíveis Caminhos para a Paz (ANTUNES, Gleidistone)

 


Entendendo o Conflito entre Israel e Palestina:

História, Causas, Impactos e Possíveis Caminhos para a Paz

ANTUNES, Gleidistone

1. Introdução


O conflito entre Israel e os palestinos é um dos mais duradouros e complexos do mundo moderno. Suas raízes estão ligadas a disputas sobre território, identidade nacional, soberania e segurança — envolvendo milhões de pessoas que vivem em uma das regiões mais sensíveis geopolítica e religiosamente do planeta. Segundo especialistas, a disputa começou a se cristalizar no século XX e continua até hoje com graves consequências para civis de ambos os lados.


2. Breve Histórico Político - Origem e criação do Estado de Israel


Até o início do século XX, a região conhecida como Palestina estava sob administração do Império Otomano. Com o fim da Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha passou a controlar a área sob mandato internacional; época em que cresceu o movimento sionista — que defendia um lar nacional para o povo judeu na Palestina — e também movimentos árabes palestinos.

Em 1947, a Organização das Nações Unidas (ONU) propôs um plano de partilha do território em dois Estados — um judeu e um árabe — com Jerusalém sob administração internacional. Os líderes judaicos aceitaram a proposta, mas os líderes árabes e palestinos rejeitaram, alegando que ela dividia injustamente a terra sem consentimento pleno dos habitantes locais.

Em 14 de maio de 1948, Israel declarou sua independência, desencadeando a Primeira Guerra Árabe-Israelense e uma série de confrontos posteriores. Muitos palestinos foram deslocados ou se tornaram refugiados no processo que os palestinos chamam de Nakba (“catástrofe”).


Ocupação e territórios disputados


Em 1967, durante a chamada Guerra dos Seis Dias, Israel ocupou a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza — territórios que os palestinos reivindicam como parte de seu futuro Estado.

Nas décadas seguintes, ocorreram negociações, confrontos e tentativas de acordo, como os Acordos de Oslo (1993) que visavam estabelecer um processo de paz negociante e autonomia palestina em partes da Cisjordânia e de Gaza, mas sem resolver as questões centrais de fronteiras, refugiados ou Jerusalém de forma final.


3. Dimensões Social e Econômica - Vida cotidiana e desigualdades


A desigualdade econômica entre israelenses e palestinos é profunda. Relatórios apontam que o Produto Interno Bruto (PIB) per capita de Israel é muito maior do que o da Cisjordânia e de Gaza — reflexo de décadas de acesso desigual a recursos, infraestruturas e mercados.

No caso palestino, bloqueios, restrições de circulação, conflito constante e falta de um Estado plenamente funcional agravam as condições de vida. Isso tem impacto direto no acesso a serviços essenciais como saúde, educação e emprego.


4. Entendendo a Perspectiva dos Palestinos e dos Israelenses - Narrativas e percepções


Para muitos palestinos, a criação de Israel e a subsequente ocupação são vistas como injustiça histórica e violação de direitos nacionais e humanos. Líderes e estudiosos palestinos expressam que sua luta é por autodeterminação e fim da ocupação.

Por outro lado, muitos israelenses citam a necessidade de segurança diante de ameaças militares, grupos armados e histórico de ataques contra civis como justificativa para políticas de controle territorial e militar. Esta visão é frequentemente enfatizada em debates políticos internos de Israel e nas narrativas oficiais. (Veja seções de notícias recentes sobre política israelense.)


5. Por Que o Conflito Persiste?


Alguns fatores que dificultam a resolução incluem:


  • Questões territoriais não resolvidas, como a soberania sobre Jerusalém Oriental e fronteiras definitivas.

  • Refugiados palestinos e o direito de retorno.

  • Assentamentos israelenses na Cisjordânia considerados ilegais por grande parte da comunidade internacional.

  • Desconfiança histórica e memória de violência entre as partes.


Especialistas apontam que o prolongamento do conflito alimenta um ciclo de hostilidade que torna qualquer solução difícil sem compromissos significativos de ambos os lados.


6. Caminhos e Soluções Propostas - Solução de dois Estados


A proposta internacional mais discutida é a solução de dois Estados: um Estado palestino independente coexistindo pacificamente com Israel, com fronteiras negociadas baseadas em 1967, segurança garantida para ambos e resolução das questões de refugiados.

Essa ideia foi a base dos Acordos de Oslo e de negociações posteriores, mas enfrenta desafios práticos e políticos, especialmente com expansão de assentamentos e posições divergentes dentro de cada sociedade.


Abordagens alternativas


Alguns analistas discutem modelos diferentes, como a chamada solução de três Estados (onde partes palestinas seriam integradas parcialmente a países vizinhos ou teriam características administrativas distintas), embora tal proposta não seja amplamente apoiada.

Outros estudos acadêmicos exploram métodos para facilitar diálogo entre comunidades israelenses e palestinas, incluindo abordagens baseadas em mediação civil e tecnologia de comunicação para reduzir polarizações sociais.


7. Conclusão


O conflito entre Israel e Palestina é um tema complexo que envolve história, identidade, política, economia e memória coletiva. A violência, deslocamentos e desigualdades vividas por civis tanto em Israel quanto nos territórios palestinos mostram que soluções duradouras exigirão compromisso, diálogo e reconhecimento mútuo de direitos e sofrimentos. Entender múltiplas perspectivas e se basear em análises históricas e acadêmicas é essencial para qualquer discussão séria sobre paz.


Referências e Bibliografia (para aprofundar o estudo) - Fontes citadas


  • “Entenda as raízes históricas do conflito Israel x Palestina”, Capricho — resumo histórico sobre a criação do Estado de Israel e o contexto de 1948.

  • Acordos de Oslo — descrição do processo de negociações de paz entre Israel e líderes palestinos.

  • Artigo Reuters sobre a solução de dois Estados e desafios atuais na Cisjordânia.

  • Discussão acadêmica sobre abordagem de paz e diálogo entre comunidades israelenses e palestinas.

  • Relatório sobre desigualdade econômica entre Israel e territórios palestinos.

  • “Solução dos Três Estados” como alternativa teórica ao conflito.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

ARGENTINA À BEIRA DA ESCRAVIDÃO PROFESSOR GLEIDISTONE ANTUNES


 ARGENTINA À BEIRA DA ESCRAVIDÃO

PROFESSOR GLEIDISTONE ANTUNES


Os parlamentares argentinos, supostamente comparados pela bagatela de milhões, como acontece no Brasil, aprovaram a nova reforma trabalhista impulsionada pelo governo ultradireitista de Javier Milei. Entre as mudanças discutidas estão a ampliação da flexibilidade de jornada trabalhista de 8h para 12h, alteração nas regras de horas extras e sem remuneração, ajustes em indenizações e o fim de direitos trabalhistas históricos. Para os defensores da medida, trata-se de modernização da economia e tentativa de atrair investimentos num país que vive há décadas sob inflação crônica, dívida elevada e estagnação da produtividade. Para os críticos, é o fim dos direitos dos trabalhadores e acelerada transferência de risco do empregador para o lombo do trabalhador.

O discurso do governo é claro: menos direitos aos trabalhadores mais mercado, mais competitividade. A lógica é que direitos trabalhistas considerados “custos elevados” afastam empresas, travam contratações e sufocam crescimento. O problema é que essa visão ignora o impacto social imediato. Quando se amplia jornada de trabalho, aumentam-se as compensações dos patrões e reduzem-se as garantias do povo trabalhador, e o peso recai diretamente sobre as costas de quem depende do salário para sobreviver.

Há dois campos visíveis na Argentina neste momento. De um lado, o setor financeiro e parte do empresariado, que veem na reforma a chance de demissão em massa e de se reduzir custos e aumentar margem de lucro. De outro, trabalhadores e sindicatos que enxergam erosão de proteção social num país já fragilizado economicamente. O conflito não é apenas econômico. É ideológico. É sobre qual modelo de Estado deve prevalecer.

Mas existe uma questão central que não pode ser ignorada: Javier Milei foi eleito. E seu partido consolidou apoio legislativo. O programa liberal radical que vai contra o povo nunca foi escondido. A promessa sempre foi demitir e cortar gastos, acabar com as estatais e flexibilizar regras para o patronato. O choque não está na coerência do governo. Está no impacto real quando a teoria vira prática.

A Argentina está vivendo um experimento econômico profundo. Pode gerar crescimento no médio prazo? Possivelmente não. Pode ampliar desigualdade no curto prazo? Já está gerando. Reformas estruturais quase nunca são indolores e quem senta as dores é o povo. A pergunta que fica é: qual será o custo social dessa transição e quem vai suportar o peso maior? Com toda a certeza, o povo é que vai pagar.

Para o Brasil, a lição não é copiar mas a de demonizar automaticamente o posicionamento do governo argentino. A lição é entender que cada escolha eleitoral carrega consequências concretas e prejudiciais ao povo. Modelos econômicos diferentes produzem resultados diferentes — e também impactos sociais diferentes. O debate precisa ser de informações racionais, não emocional. Porque no fim das contas, o que está em jogo não é apenas política. É a vida cotidiana de milhões de pessoas inocentes que apenas terem seus direitos garantidos, o que não ocorre mais na Argentina, e viver dignamente.


Tenho dito, senhoras e senhores!