sexta-feira, 29 de junho de 2018

RESENHA CRÍTICA DA OBRA Toda Versidade, livro Antológico tripartido em poesias de Paulo Goudinho, Nunes de Oliveira e Érica Barros (por Gleidistone Antunes)


RESENHA CRÍTICA

RESENHISTA: ANTUNES, Gleidistone.*

FICHA TÉCNICA

TÍTULO DA OBRA: Toda Versidade / 2017
CLASSIFICAÇÃO DA OBRA: Antologia Poética
AUTORES: Érica Barros, Nunes de Oliveira, Paulo Goudinho
GÊNERO: Literário – Poemas
EDITORA: Clube de Autores, Joinville / SC
PÁGINAS: 132
ISBN: 978-85923387-0-1

Sempre que me deparo com uma antologia para resenhar sinto uma dor no estômago. E quando se trata de poemas (a minha tara) tento ser o mais justo possível. Isto porque fazer juízo de valor acerca de alguma obra é meio que perigoso, sobretudo um livro antológico de poemas, haja vista que nos expomos juntamente com a obra a ser resenhada. Mas (como sempre temos o danado de um “mas”) Toda Versidade me deixa bem à vontade para escrever esta resenha, haja vista o cast dos três escritores que nos brindam com tais poemas de magnânima grandeza. Três cabeças tão diferentes com distintos estilos, que somam, à literatura brasileira, mais esta obra de talentos, partilha e de metaforados poemas.

Começo esta resenha com uma citação do extraordinário escritor João Cabral de Melo Neto, pernambucano de Recife: “Um galo sozinho não tece a manhã: ele precisará sempre de outros galos...” (In.: In: MELO NETO, João Cabral de. Obra completa: volume único. Org. Marly de Oliveira. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p.338. (Biblioteca luso-brasileira. Série brasileira). Daí fazemos a ponte de que precisamos para falar acerca dos personagens que construíram uma só obra, mas com o mesmo intuito – se mostrarem. Exibirem suas marcas textuais, o que nos pressupõe que todo escritor quando escreve, quer ver, ler e ouvir o que dizem do seu trabalho. Este caso não poderia ser diferente. Entretanto, começo a análise deste livro de trás para a frente. O leitor compreenderá no final.

Érica Barros, com suas credenciais, por si só, já mostra sua intelectualidade. É graduada em Letras com habilitação em inglês e francês pela UFPI, o que nos evidencia a dimensão da capacidade de produção poética desta jovem pesquisadora da Análise do Discurso e mestranda em Estudos da Linguagem.
Seus poemas nos lembram crônicas versificadas, uma praxe dos poetas modernistas e contemporâneos, cheias de metáforas (essência anímica dos poemas), carregadas de romantismo, o que nos dá uma aparente ideia de mulher frágil, mas que logo se mostra forte, mesmo que sonhadora. “Lutadora romântica” seria o mais indicado para classificá-la, haja vista o animismo, anunciado na abertura dos seus textos. Aliás, a alma (ou Eu Lírico?) dessa poetisa se mostra multifacetada nos seus Vislumbramentos, com a paciência de Maria e com o Desassossego de uma íris vista pelo espelho, depois de um Pós-love bem bocejado. Com um Mon amour desse eu, pessoalmente, deixo-me sim sossegar-me numa boca tão poética e metafórica dessa. Os poemas de Érica Barros têm Toda Versidade e me fazem parafraseá-la que, mesmo estando nesta obra tão real e palpável: “...não deixaram de ser sonho, nem quando tornaram-se realidade”. A sua poética deixou-me alumbrado!

Nunes de Oliveira, piauiense graduado em Biblioteconomia, o que lhe garante uma grande responsabilidade: tomar conta e divulgar tesouros literários – os livros.
Amante das letras e contaminado pelo vírus da Arte Literária, mergulha no mundo dos poemas. Deseja revelar a poesia latente e inquilina do seu coração aos quatro cantos do mundo. Retalhos o anuncia, como o próprio nome diz - em pedaços. Hora em Desejos, hora em Solidão. No Tempo, judiado pelo inalcançável(?) e sendo a soma do que ele cria pela Psicoarte, transborda em jogos de palavras visivelmente desejosas. Poeta pedinte ou poeta dos desejos? Preso às Horas, ele resmingua uma eterialidade no gozo eterno de um Embalo, que jamais se repetirá na vida de cada um de nós. Singular, poético e liricamente doce é este poeta. Seguindo a Regra Gramatical de Oliveira, desejo então, ao querido leitor, para aguçar sua curiosidade em ler esse livro, sorrisos lacrimados, mas sem vírgulas. Somente com pontos de exclamação!!!

Paulo Goudinho, Licenciado em Educação Artística com habilitação em Música pela UFPI. Natural de Terezina/PI. Músico e professor da SEMED de sua cidade. Artista premiado em festivais de canções e um aventureiro na arte de poetar desde adolescente.
Dos três que compõem a obra Toda Versidade, é o mais conciso, meio que João Cabral piauiense. Seus poemas são enxutos. Assim como um soco no estômago, ele nos chama a atenção, ou à responsabilidade(?) para as causas políticas-sociais. Seus textos abrem com um questionamento: “...Se a vida é curta / Para que poemas longos?”. Se mostra inquieto e afirma que a “Poesia é a banalidade de cada dia” quando brinca banalmente e de forma concreta com a Prima Vera, esperando-a nas quatro estações: “Rodoviária / Portuária / Aeroviária / Ferroviária.” Isto nos apresenta um poeta que gosta de brincar Com Mari, com Dulce e até com O Luxo e o Lixo, donde conclui que o primeiro é o estado primitivo do segundo. Isto é sensacional, pois nos mostra uma visão atenta às figuras de linguagens com suas peculiaridades: antíteses, metáforas e aliterações. Não fosse a estruturas dos seus versos e se eu não os tivesse lido, diria que se tratava de um poeta concretista, entretanto, nesta verve dos literatos que se aventuram pela arte de poetar, ele faz parte mesmo dos poetas contemporâneos. A póetica de Goudinho precisa ser lida com muita atenção, por conta da complexidade de suas estruturas. Por sua agressividade, em alguns casos, e pelos versos “arrumados” sem cadência sem rítmica e sem métrica, bem ao estilo dos neopós-modernistas que fazem a poesia do futuro, como por exemplo, os poetas da Poesia Absoluta.

Comentado o trio-poético de Toda Versidade, atento-me agora, como disse no começo, à referência de João Cabral de Melo Neto: Um galo sozinho não tece a manhã: ele precisará sempre de outros galos...”. Quero dizer que estou encantado com tamanha coragem dos três ao se juntarem para a confecção da presente obra literária. Que os três fazem jus ao que o mestre Cabral escreveu. E que “quando os poetas se juntam, tecem mesmo uma manhã promissora de partilha poética, de valores éticos e profissionais”. Os três são exemplo de humildade. Esta é a palavra que define o trio-poético do Piauí. E estou muito gratificado por ter lido esta obra merecedora de estar nas grandes bibliotecas do nosso país e do mundo. Eles são um grande exemplo de fé e união, algo assim nos faz crer ainda, nos seres humanos. Leiam Toda Versidade e aprendam como se desperta a poesia em cada leitor. Eu recomendo! 

RESENHA CRÍTICA - Poesia no Jardim. Obra literária de Maria Marlene (por Gleidistone Antunes)


RESENHA CRÍTICA

RESENHISTA: ANTUNES, Gleidistone.*
 FICHA TÉCNICA
 TÍTULO DA OBRA: Poesia no Jardim / 2017
AUTORA: Maria Marlene
GÊNERO: Literário – Poemas
EDITORA: Becalete, Mogi Guaçu, SP
PÁGINAS: 92
ISBN: 978-85-9358-78-7

Resenhar uma obra literária é algo muito complexo, haja vista sua carga de subjetividade que, neste caso, é extremamente carregada de sutilezas poéticas embasadas nas figuras de linguagens, que considero ser a alma dos poemas. Isto porque cada um deles traz em si suas marcas de impressões expostas pelos poetas, a partir de suas experiencias de mundo. E na qualidade de resenhista, leitor da obra a ser resenhada – “Poesia no Jardim”, da poetisa Maria Marlene, sigo o que dizia o grande Leonardo Boff: “Ler significa reler e compreender. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam, haja vista que todo ponto de vista é a vista de um ponto.” Partindo desse princípio e com os pés no chão, recebi com muita alegria essa obra literária cujo gênero me fascina – os poemas. Para mim, cada texto poético é um encantamento.

“Poesia no Jardim” logo de cara, seja de frente ou de verso (por trás mesmo) nos encanta por sua belíssima ilustração, com traços multicoloridos de tropicalidade, sob um fundo azul celeste, a nos lembrar uma linda tarde de verão que nos convida para conhecermos esse jardim poético-imaginário, construído a partir de um sonho – o de lançar seu rebento de versos e asas a nos chamar para um voo suave sobre as brisas do tempo e da imaginação poética de MM.

A primeira orelha do livro nos apresenta a teórica Marlene, acadêmica, professora-poetisa, credenciais que a torna digna de ser lida, conhecida e reconhecida pelos brasileiros que gostam de Literatura.
Poesia no Jardim nasce de um convite inusitado feito por um beija-flor, configuração do seu Eu Lírico que, por intermédio de sua imaginação é exortada a escreve-lo. Na segunda orelha do livro, ela confessa tudo isso em versos delicados que por si só, tem uma grande alma: o jogo de metáforas a reluzir na mente dos leitores uma fábula-poética. Lindo, leve e que dá nome à obra.

Com prefácio do poeta e artista plástico Arthur Ghuma, o livro ganha um adorno metafísico que extrapola o sentido semantical e nos evidencia a semiótica advinda dos poemas de MM. Ghuma nos alerta, de certa forma, que iremos nos deparar com uma poetisa extremamente onírica, ou seja, pura e sensível, assim como uma flor campestre, com todas as suas singelezas. Naturalista mesmo. Esta imagem nos remete às indicações do fugere urbem, mas com mergulhos de amor no campo fértil da sua imaginação em Doces Lembranças que se configuram no desabafo de Coisas de Maria (I) descambando onde Nasce o Sol, Todo Exibido e continua numa Tarde Ensolarada.

Nesse sentido, ouso em afirmar que Maria Marlene é uma poetisa árcade ao contrário, ou seja, enquanto no arcadismo a razão sobrepuja a imaginação, em MM a imaginação não está nem aí para a concretude da razão e por isto ela solta seus versos tais quais andorinhas (ou beija-flores) livres de pieguices previsíveis, secas e sem graça, insensíveis.

Ela é merecedora de constar no cast das grandes escritoras modernas deste país. Sua singeleza nos evidencia que, em certos casos, o simples é chic, é sublime, é mais. Tudo isso é - Maria Marlene.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

DA ELITE AO ATRASO: da escravidão à Lava Jato



Capa do Livro
A ELITE BRASILEIRA SEMPRE FOI E SEMPRE SERÁ DO MAL!

A primeira coisa a se fazer quando se reflete sobre um objeto confuso e multifacetado como o mundo social é perceber as hierarquias de questões mais importantes a serem esclarecidas. Sem isso, nos perdemos na confusão. A questão do poder é a questão central de toda sociedade. A razão é simples. É ela que nos irá dizer quem manda e quem obedece...” (SOUZA, Jessé. A elite do atraso: da escravidão à Lava Jato. Rio de Janeiro: Leya, 2017.

Existe no mundo uma elite, mas elite mesmo, não uns “classe média” de merda que se acha rica, por inveja do rico e que age como se ricos fossem, e que têm horror a pobre. Mas especificamente no Brasil, existe desde os tempos do Império, uma elite que realizou um pacto de efetiva perpetuação no poder, custe o que custar.

A própria história nos mostra isso. Os poderes régios, por exemplo, passavam gerações na mesma família. Mas com o advento da Proclamação da República (que não houve, porque também foi um golpe), o processo de perpetuação no poder ganhou os ares de corrupção, crueldade física e matança que hoje acontece no país tupiniquim, chamado de Brasil.

Querem um exemplo claro de se ver? Estudem a história do Maranhão. O estado é conhecido por "Sarneyktão" há anos. Por quê? A família de José Sarney manda e desmanda e nem a justiça faz nada, pois até ali, os Sarneys têm gente da laia deles.

Para entender todo o processo de desigualdade, promovida pela corrupção, que é muitíssimo bem elaborado e deliberadamente provocado pelas elites que mandam, que pagam e que matam para se manterem no poder há séculos. E tem mais heim, se vocês observarem bem, até nas religiões existe este um conluio de pastores, padres e demais líderes religiosos que pregam a humildade e um céu de felicidades, exatamente para convencerem os pobres e ignorantes de que é “tudo da vontade de Deus.” De que temos de nos conformar com nosso estado de pobreza e miséria, mas quando aparece um religioso verdadeiramente compromissado com seu sacerdócio, ele é perseguido e tentam lhe tirar a honra, como fizeram com Dom Helder.

Se dou comida aos pobres, todos me chamam de santo. Mas quando pergunto por que são pobres, me chamam de comunista.

(Dom Hélder Câmara)



sábado, 21 de abril de 2018

O COSMO RECEBE EM SEUS BRAÇOS UM POETA DE PRIMEIRA GRANDEZA – MÚCIO GOES, UM PALMARENSE SINTETIZADOR DE VERSOS!

Múcio Goes, em foto de perfil escolhida por ele mesmo


O COSMO RECEBE EM SEUS BRAÇOS UM POETA DE PRIMEIRA GRANDEZA – MÚCIO GOES, UM PALMARENSE SINTETIZADOR DE VERSOS!

No dia de ontem (20/4)Palmares perdeu um dos maiores nomes na Literatura. Tratasse do grande artífice da palavra Múcio de Lima Góes, ou simplesmente Múcio Goes.

Residente em Maceió desde 1991, o jovem poeta vinha sofrendo há anos em consequência da tretraplegia, por conta de acidente automobilístico que o colocou numa cadeira de rodas.

A sua condição de cadeirante não o fez perder a fé na vida. Ele então adentra o universo das palavras e com elas estabelece um pacto de sintetização. Isto foi a sua marca maior em todos os poemas que produziu.

Tive o privilégio de trocar, por pouco tempo, figurinhas com o poeta. Homem de palavras curtas, todavia, bastante incisivas e transgressoras dos paradigmas gramaticais a que muitos outros poetas se submetem, mas, como disse a mim certa vez: “Os outros são os ostras!”

Personalidade franca, frente as dores atrozes que tomavam conta de seu corpo, ele, mesmo assim encontrava lenitivo nas palavras.

Escreveu poemas lindos como:

"ainda ontem
passeando pelo jardim
tropecei num pé de
saudades
e caí em mim."

Texto extremamente introspectivo, que nos remete a falta que alguém muito importante lhe fazia. Certamente a sua mãe, pessoa que a vida toda cuidava do poeta, sobretudo, depois do acidente sofrido pelo poeta.

Em seus poemas também flava de dores físicas, sofrimento que o acompanhou por muitos anos e que lhe provocava uma insônia feroz. Este poema nos evidencia o tamanho da agonia impregnada no corpo do seu criador.:

"chega
a
noite
meço
a
dor
e
ador
meço"

Múcio Goes, apesar de ter muitos amigos e admiradores, era um poeta solitário (ou pelo menos se sentia assim). Para mostrar isso escreveu:

"eu poderia
estar roubando
matando

mas estou aqui
fazendo poesia
driblando a solidão

mente sã
corpo não"

Nestes dois últimos versos percebemos uma queixa acerca de sua condição física. Isto se evidencia em vários dos seus poemas. Mas também, quem em sã consciência, aceitaria viver aprisionado no próprio corpo sem um certo grau de “amargura” interior?

Além das temáticas de solidão, saudade e dor o amor e sexo também fizeram parte do seu imaginário de poeta dos versos curtos, sintetizados no seguinte poema:

{poeminha de verão}

nesse calor
melhor que ver-te
é te levar
para um sorvete
e não só verte
mas sol ver-te
dissolver-te
ter-te
sorver-te”

Observemos que ele sempre começava seus poemas com letras minúsculas, quebrando literariamente com a regra gramatical, haja vista que a licença poética abraça a prática de uma literatura livre, em todas as suas instâncias.

Múcio Goes foi um homem impregnado de ideias poéticas, sensibilidade e maturidade a ponto de pontear em curtíssimos versos, sua poética rica de imagens, numa semiótica analítica lírica e extremamente de bom gosto.

Que as Egrégoras Cósmicas o receba de braços abertos. Que sua energia de vida (exemplo para todos nós) seja a tônica inspiradora para todos os que lhe conheceram mais de perto.

quarta-feira, 28 de março de 2018

ENTENDA O QUE É O FASCISMO

Qualquer semelhança não é mera coincidência!


ENTENDA O QUE É O FASCISMO

"O fascismo na Itália é irmão

do fascismo do sul do Brasil"
Lucia Helena Issa


Morei em Roma durante seis anos, de onde colaborei como jornalista com dois grandes jornais brasileiros, e durante os meus anos em Roma, tentei entender o ódio que tomou conta dos jovens italianos nas décadas de 30 e 40 e como o ódio foi sendo alimentado por grupos poderosos e invisíveis até então, legitimando agressões contra todos os que pensassem de forma diferente, contra os jovens de esquerda, contra mulheres mais independentes, contra trabalhadores rurais, etc, dando origem ao Fascismo.

As milícias fascistas eram chamadas de "fascio", uma espécie de feixe com vários gravetos de madeira que, juntos, podem fazer uma fogueira, segundo uma das metáforas usadas na época. O movimento dos " fascio" passou a ganhar força quando a Milizia Volontaria per La Sicurezza passou a agredir as pessoas em passeatas. Os agressores eram chamados de Camicie Nere, Camisas Negras, em homenagem aos "arditi", que usavam uniformes negros, e agiam em nome do anticomunismo, do antipacifismo e do " nacionalismo".

    Os Camisas Negras atacavam mulheres, jovens, espancavam grevistas, intelectuais críticos ao fascismo, membros das ligas camponesas e de qualquer grupo que pensasse de forma diferente dos fascistas. Poucas pessoas sabem que bem antes da II Guerra, os "fascios" foram responsáveis pelo assassinato de 600 italianos, enquanto a polícia italiana se omitia ou se recusava a fazer algo. Essas milícias, no início, usavam porretes e chicotes no lugar de armas, pois seu objetivo era humilhar seus inimigos e não matá-los. A semelhança entre o MBL e outros grupos como os que atacaram mulheres que estavam participando de uma caravana política, com os jovens fascistas italianos da década de 30 é assustadora. Os Camicie Nere queriam impedir as pessoas de circularem livremente pelo território italiano. As milícias que atacam no Brasil também.

Os Camicie Nere odiavam os trabalhadores rurais, os jovens de esquerda e os membros das Ligas Camponesas. Os que atacaram no sul do Brasil também. Os fascistas italianos tiveram o apoio de policiais e, mais tarde, do próprio Mussolini. Os que agrediram mulheres no sul do Brasil tiveram o apoio dos policiais e de uma senadora da República.

Vivendo em Roma, pude entrevistar pessoas que perderam seus pais durante o Fascismo e centenas de mulheres que lutam para que a história jamais se repita e o ódio não seja adubado. Recentemente, o Facebook fechou uma página italiana chamada "Giovani fascisti italini" (Jovens Fascistas Italianos), que tinha como objetivo alimentar o ódio e como membros jovens de extrema direita e dois senadores que os apoiavam.

Recentemente, o Facebook brasileiro fechou uma página ligada ao MBL, por criar notícias falsas sobre a vida de Marielle Franco e por alimentar o ódio.


(Historiadores pela Democracia)



Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-fascismo-na-italia-e-irmao-do-fascismo-do-sul-do-brasil-por-lucia-helena-issa/

SENSEI ERIVAN LOPES DE OLIVEIRA (judô) É O MAIS NOVO CIDADÃO DOS PALMARES!


SENSEI ERIVAN LOPES DE OLIVEIRA (judô) É O MAIS NOVO CIDADÃO DOS PALMARES!

Na noite dessa terça-feira (27/03) o vereador Godoy de Bartô teve aprovado por unanimidade e com louvor, o seu requerimento que concede o Título de Cidadão Palmarense ao Semsei Erivan Lopes de Oliveira. Tal iniciativa foi uma adesão a Campanha do Professor Gleidistone Antunes, publicada em seu Blog e na sua página do Facebook, onde várias pessoas ficaram sabendo que o Erivan não é natural desta cidade, mas que há quase quarenta anos vem dedicando-se ao ensino do judô na formação de cidadãos mais disciplinados, conscientes do seu papel na sociedade e mais saudáveis do ponto de vista da saúde física e mental.

Os vereadores Godoy de Bartô (autor do requerimento) e Luciano Rodrigues, que foram alunos do Sensei Erivan, se mostraram muito felizes com a honraria e na oportunidade agradeceram ao seu mestre os pelos ensinamentos que receberam, quando foram alunos do Erivan. O vereador presidente da casa, Saulo Acyole, muito solícito, facultou a palavra ao emocionado blogueiro e Professor Gleidistone Antunes, que leu o histórico de vida e de serviços prestados, pelo Sensei Erivan, à cidade dos Palmares. As vereadoras Ray do Quilombo e Paulete, também externaram suas alegrias e felicitações ao mais novo Cidadão dos Palmares. O vereador Josias ficou surpreso ao saber das origens do Erivan, mesmo tendo sido colega de infância, não sabia que o Professor era de outras paragens, mas que veio residir nesta cidade ainda quando tinha apenas oito anos. Os vereadores Amós, Toinho Enfermeiro e os demais também fizeram suas considerações e parabenizaram o Erivan lopes que, mesmo emocionado, mostrou equilíbrio contendo suas lágrimas e, junto a sua filha Júlia e ao seu discípulo Gladstony Gomes, mostrou-se extremamente feliz e agradecido pela honraria que acabara de receber. 

Ficam aqui os nossos agradecimentos ao vereador Godoy de Bartô por ter abraçado esta nossa Campanha pró Erivan Lopes, cidadão palmarense, já. E desejar a todos os que votaram, por unanimidade, em favor da titulação, muito merecida, do Erivan Lopes, felicidades e que o Deus dos seus corações os abençoe.
















sexta-feira, 23 de março de 2018

O MEDO DA INTELIGÊNCIA (Por José Alberto Gueiros)

PESSOAL, NA MORAL!

O texto que apresento a vocês, queridos leitores deste Blog, foi postado num grupo do qual eu e muitos entendidos de política, economia, educação, justiça, segurança, direitos social, econômico e afins fazem parte.
É um desses raros artigos que, pela maestria com a qual foi produzido, tornou-se atemporal, ou seja, estará sempre atual, tanto pela temática abordada, quanto pela contextualização nele apresentada.
Deixemos de blá-blá-blá e vamos ao texto.

O MEDO DA INTELIGÊNCIA
Por José Alberto Gueiros

Quando Winston Churchill, ainda jovem, acabou de pronunciar o seu discurso de estreia na Câmara dos Comuns, foi perguntar a um velho parlamentar, amigo de seu pai, o que tinha achado do seu primeiro desempenho naquela assembleia de vedetas políticas. O velho pôs a mão no ombro de Churchill e disse, em tom paternal: "Meu jovem, você cometeu um grande erro. Foi muito brilhante neste seu primeiro discurso na Casa. Isso é imperdoável. Devia ter começado um pouco mais na sombra. Devia ter gaguejado um pouco. Com a inteligência que demonstrou hoje, deve ter conquistado, no mínimo, uns trinta inimigos. O talento assusta."

E ali estava uma das melhores lições de abismo que um velho sábio pode dar ao pupilo que se inicia numa carreira difícil. A maior parte das pessoas encasteladas em posições políticas são medíocres e tem um indisfarçável medo da inteligência. Isso na Inglaterra. Imaginem aqui noutros países. Não é demais lembrar a famosa trova de Ruy Barbosa:

"Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que às vezes fico pensando que a burrice é uma Ciência."

Temos de admitir que, de um modo geral, os medíocres são mais obstinados na conquista de posições. Sabem ocupar os espaços vazios deixados pelos talentosos displicentes que não revelam o apetite do poder. Mas é preciso considerar que esses medíocres ladinos, oportunistas e ambiciosos, têm o hábito de salvaguardar suas posições conquistadas com verdadeiras muralhas de granito por onde talentosos não conseguem passar. Em todas as áreas encontramos dessas fortalezas estabelecidas, as panelinhas do arrivismo, inexpugnáveis às legiões dos lúcidos.

Dentro desse raciocínio, que poderia ser uma extensão do Elogio da Loucura de Erasmo de Roterdam, somos forçados a admitir que uma pessoa precisa fingir de burra se quiser vencer na vida. É pecado fazer sombra a alguém até numa conversa social. Assim como um grupo de senhoras burguesas bem casadas boicota automaticamente a entrada de uma jovem mulher bonita no seu círculo de convivência, por medo de perder seus maridos, também os encastelados medíocres se fecham como ostras à simples aparição de um talentoso jovem que os possa ameaçar. Eles conhecem bem suas limitações, sabem como lhes custa desempenhar tarefas que os mais dotados realizam com uma perna nas costas, enfim, na medida em que admiram a facilidade com que os mais lúcidos resolvem problemas, os medíocres os repudiam para se defender. É um paradoxo angustiante.

Infelizmente temos de viver segundo essas regras absurdas que transformam a inteligência numa espécie de desvantagem perante a vida. Como é sábio o velho conselho de Nelson Rodrigues: "Finge-te de idiota e terás o céu e a terra”.

O problema é que os inteligentes não gostam de brilhar. Que Deus os proteja para que as cobras não os ataquem.


in JORNAL DA BAHIA - Sábado, 23/09/79.